Existe uma percepção perigosa circulando entre empresas neste momento: a de que 2026 é um ano de ensaio. Como a cobrança efetiva do IBS e da CBS ainda não está plena, muita gente trata as novas obrigações como algo que “depois se ajusta”. Esse raciocínio parte de uma premissa equivocada, e pode sair caro.
Adaptação não significa ausência de registro
O período de transição foi pensado para que empresas e fisco calibrem sistemas, layouts e processos antes da cobrança integral. Mas calibrar não é o mesmo que operar no vazio. Os documentos fiscais emitidos nessa fase existem, são transmitidos e ficam registrados. Eles alimentam bancos de dados que vão acompanhar a empresa para frente.
Em outras palavras: o que você classifica, destaca e informa agora não é descartado quando o novo sistema entra em regime pleno. Ele permanece como histórico.
Por que o histórico importa
A fiscalização do novo modelo será fortemente baseada em cruzamento de dados. O IBS e a CBS nascem em um ambiente digital, com informações compartilhadas entre União, estados e municípios de forma muito mais integrada do que no sistema atual.
Isso significa que inconsistências cometidas hoje não passam despercebidas só porque a cobrança ainda não é total. Elas criam padrões. Uma empresa que registra de forma incorreta durante a transição constrói, sem perceber, um rastro que pode chamar atenção quando a fiscalização estiver plenamente operante. O erro de hoje vira o ponto de partida da auditoria de amanhã.
O que fazer com essa janela
A leitura correta é inverter a lógica. Em vez de tratar a transição como um período de baixo risco, tratá-la como o melhor momento para acertar, justamente porque ainda há margem para corrigir sem o peso da cobrança integral.
Na prática, isso significa revisar se o ERP está classificando corretamente as operações, conferir se os documentos refletem a realidade do negócio e treinar as equipes para o novo modelo enquanto o ambiente ainda é mais tolerante. Quem usa essa fase para estruturar chega em 2027 com a casa em ordem. Quem usa como desculpa para adiar chega com um histórico que precisará explicar.
A transição não é um rascunho. É a primeira página de um registro que o fisco vai ler por muito tempo.
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